Camminata solitaria da Monaco di Baviera a Verona 2021 Festeggiando 61 anni di gemellaggio
Dia 02 – O Lago de Starnberg e a simpatia dos amigos alemães

Dia 02 – O Lago de Starnberg e a simpatia dos amigos alemães

Dia 02 – O Lago de Starnberg e a simpatia dos amigos alemães

Hoje acordei disposta a viver mais um dia de aventuras, apesar de ter dormido mal por causa do frio e cansaço do primeiro dia de caminhada. Duvidei que acordaria com facilidade, mas o Lago de Starnberg me aguardava e eu, apaixonada por essa região, não via a hora de conhecê-lo e apreciar toda a sua beleza.

O Lago Starnberg foi formado a partir das geleiras dos Alpes e ao seu redor existem muitas cidades, uma delas é a cidade de Berg. O lago pertence ao estado da Baviera e possui mais de 58 quilômetros de extensão, caminhar por sua margem renova a minha energia e me faz entender o motivo do lago fazer parte da área de recreação das cidades que ficam ao seu redor.

No início do meu passeio visitei a capela na cidade de Berg, no lago de Starnberg, próxima ao local onde o Rei Ludwig II, conhecido como o rei dos contos de fadas, foi encontrado afogado. Além dessa igreja, existe, na água, uma cruz indicando o local onde ele morreu. Até hoje há muitas dúvidas sobre esse episódio, pois o Rei Ludwig II era um exímio nadador.

A riqueza da Alemanha me encanta! Além da belíssima paisagem e do povo caloroso e simpático, suas histórias são muito ricas e envolventes, dignas de contos de fadas e roteiros de filmes.

Agora que conheci mais sobre a história do Rei Ludwig II, pude perceber que as cidades ao redor de Munique são muito parecidas com as cidades que ficam próximas a Verona. É muito lindo perceber essa semelhança, pois sinto que estou caminhando ao lado do Lago de Garda, quando, na verdade, estou pisando em solo autenticamente alemão. As casinhas típicas e a paisagem ao redor do Lago transformam o clima frio em uma sensação muito agradável.

Após esse passeio no Lago Starnberg, estou a caminho do segundo maior desses 5 lagos, o belíssimo Ammersee.

Me sinto muito inspirada ao caminhar e escutar os passarinhos e a natureza viva. Sinto que estou sendo presenteada com toda essa beleza e tranquilidade, pois comecei a viagem com a intenção de homenagear e presentear a cidade de Verona e de Munique, mas a verdade é que eu estou sendo presenteada a cada passo que dou.

Hoje, apesar de estar fazendo frio, não está nevando, pelo bem dos meus dedinhos dos pés!

Elisabeth, esse é o nome do meu primeiro presente do dia! Ela me parou após reconhecer a bandeira do Veneto e de Verona e me disse que gosta muito de visitar o lago de Garda e passear por toda aquela região do Veneto. Esse grande gesto da Elisabeth revela uma importante evidência de que o calor humano existe em qualquer lugar, independente da nação e da língua.

Esse mito precisa ser quebrado! Pois o que aprendi com meus dois dias de caminhada é estar sempre pronta para presentear as pessoas com um sorriso largo, pois a resposta, certamente, será outro sorriso caloroso.

Tanto venetos como alemães possuem uma falsa imagem de serem frios e distantes, mas na verdade, quando olho bem dentro dos olhos de cada um, enxergo em seu olhar o tamanho da humanidade, da hospitalidade e do cuidado que eles comunicam. Vale a pena enfrentar cada desafio e conhecer pessoas incríveis e paisagens encantadoras!

Quando chegou a hora do almoço, parei em uma padaria e fui recebida novamente com um sorriso, o viajante sempre encontra em seu caminho os recursos necessários para continuar a sua viagem, e, no caso desse caminho Munique-Verona, estou sendo recebida com muito amor por todos. Mesmo usando máscaras e sem ter contato de perto, sinto o calor humano em forma de sorrisos e palavras que incentivam e fortalecem o meu espírito.

“A viagem é uma espécie de porta pela qual se sai da realidade, como se fosse entrar numa realidade inexplorada que parece um sonho”, dizia Guy de Maupassant.

Esta definição aproxima a viagem em um sonho. E pensando nessa viagem é extraordinário como a sensação é justamente essa… na verdade pode parecer um paradoxo e, ainda assim, esta viagem na solidão por territórios e belezas, cultura e história, está se tornando um incrível veículo de socialização. Precisamente em um momento tão dramático como o da crise pandêmica.

É isso mesmo… vimos que esta pandemia determinou a maior crise de saúde e econômica da história moderna, mas, acima de tudo, a maior crise social da história da humanidade. O vivente, cuja aspiração à sociabilidade é um elemento vital essencial, como a água ou o ar pode ser, teve a sua interação social interrompida drasticamente.

E eis que, precisamente, num momento em que o ser humano se expropria da sua própria essência, da necessidade natural e vital do outro, de partilhar e estar junto, esta viagem solitária por ruas, caminhos, casas, aldeias, cidades que encontro e que me seguem, forma um vínculo imaginário, mas tangível. Uma proximidade doce e difusa, quase um toque, um aperto de mão, um abraço. A sensação que tenho é a de que estamos próximos um do outro, compartilhando a dor desse momento difícil, mas de mãos dadas e se ajudando a sair de novo, a voltar a viver juntos.

Aqui este é o sonho que sinto que estou realizando nesta jornada.

Em uma jornada como essa de hoje, conto com a sorte do caminhante em encontrar pessoas que me perguntam se estou bem, se preciso de algo. Elas querem saber mais detalhes sobre a minha aventura e é por isso que sinto tanto prazer em escrever aqui e compartilhar toda a jornada.

Mesmo com o frio que está fazendo, me sinto aquecida com esse calor humano. É isso que esquenta o meu dia. Mesmo com a distância se vê o sorriso e o calor das pessoas. E para complementar a alegria, tive um saboroso almoço que aqueceu meu estômago e meu coração, um pãozinho tipicamente alemão.

Parei para comer em uma igreja que abriga um cemitério, pois de lá se tem uma vista muito bonita, e vejo a lembrança de pessoas que morreram há muito tempo. Gosto de pensar que essas pessoas, que têm as suas raízes aqui, estão olhando por essa cidade.

E nesse momento parei para refletir sobre as pessoas que foram vítimas do Covid, e me lembrei dos seus familiares e pessoas queridas que ficaram aqui. Tudo o que espero, diante disso, é que em breve possamos retomar a uma vida normal e vencer essa fase difícil.

Em todos os lugares, enxergo sinais de alegria e tradição do povo bávaro, por exemplo o “Maibaum”, assim chamada a árvore de maio. Ela é uma árvore cortada da madeira que cresce nas florestas por ocasião do calendário de maio. A árvore é carregada de porta em porta e a crença é de que o espírito da árvore que é benevolente, concede presentes e fortuna; manifestações recentes são resquícios de um culto à árvore muito mais frequente no passado O mastro está, segundo James Frazer, na origem do jogo denominado o Pau de sebo

O Maibaum da Bavaria é trocado a cada 4 anos. As placas ao lado desse poste representam as profissões tradicionais e a cada primeiro de maio é festejado.

Durante a caminhada de hoje, encontrei mais uma semelhança com a Itália. Vi esse poste decorado com roupinhas de bebê e com as informações sobre o seu nascimento. É incrível como a alegria de celebrar a vida aproxima uma cultura da outra! Festejar não é uma característica de um só povo, mas de pessoas que são felizes e gratas por tudo que têm!

Os últimos 15 quilômetros do dia foram terríveis para mim! A estrada de terra e a umidade da floresta me fizeram sentir que o frio daquele lugar estava dentro dos meus ossos e ainda estava caminhando com a sensação de estar com o calcanhar machucado. Naquele momento, senti que lutava contra mim mesmo, contra a minha mente que insistia em me dizer “eu não aguento mais…”, fiquei diante de uma grande luta interna, maior até que o frio e a estrada.

Quando cheguei ao meu destino, fui presenteada com um pôr do sol de tirar o fôlego no lago Ammersee. Confesso que sentar aqui e apreciar essa paisagem renovou minhas forças. É como se as dores em meu corpo tivessem sumido.

Contemplar esse pôr do sol é mais uma prova de que, no fim, o sacrifício vale a pena.

A coragem venceu a dúvida!

2 Comments

  1. Cara Jesusleny, liebe Wanderin, Respekt, großartig was Sie unternehmen für uns alle, gerade weil Sie nicht gerne laufen! Ich selbst wandere sehr gerne und jedes Jahr mehrere Wochen über die Alpen, meistens in Italien – Friaul, Alpe Carniche, Alpe Piemontesi dal Ticino alle Alpe Marittimi. Morgen am Sonntag möchte ich auf einen Berg wandern.
    Und da ich kurz vor Murnau wohne, möchte ich Sie herzlich einladen zu einem Abendessen und zum Übernachten. Sind Sie nicht gerade hier in der Gegend???? cordiale, Polina

    1. Jesus Gomes

      Liebe Polina, vielen Dank für deine schöne Nachricht und für das Angebot eines Abendessens und die Übernachtung. Heute, Samstag, bin ich noch in Weilheim, und werde morgen erst mal nach Eschenlohe gehen. Schön das du morgen in die Berge zum wandern gehst, ich wünsche dir einen ganz tollen Sonntag. Ganz herzliche Grüße, Jesusleny
      P.S.: ich hoffe wir lernen uns nach der Pandemie persönlich kennen, das würde mich wirklich sehr freuen! Un abbraccio e una giornata piena di luce!

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